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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Tenho saudade do Ciro que me ajudou', disse Marina ao líder do PROS

Essas coisas não acontecem por acaso, mas sim em nome de algo maior", desabafou Marina Silva, provável candidata a presidente da República pelo PSB, ao ex-ministro Ciro Gomes, durante o velório de Eduardo Campos, no Recife. Marina estava abalada; Ciro, emocionado. Ele não respondeu. Marina olhou nos olhos do interlocutor e arrematou: "Tenho saudade do Ciro que me ajudou."

O diálogo testemunhado pelo Valor mostra um pouco da personalidade messiânica e política de Marina Silva, ex-ministra de Meio Ambiente do governo Lula, ex-senadora da República e muito perto de ser ungida pelo Partido Socialista Brasileiro, o PSB de Eduardo Campos, como candidata à Presidência da República - o que deve ocorrer até a quarta-feira.

Marina é uma mulher de fé - e talvez tenha absorvido o baque da morte do companheiro de chapa como parte da missão que, acredita, deva cumprir na vida. Tornou-se uma política com um projeto claro de país - transformar o Brasil numa potência sustentável de fato. A segunda parte da frase ilustra a delicadeza e firmeza como faz isso.

Ciro Gomes pode ser um aliado importante, assim como seu irmão Cid Gomes, governador do Ceará. Cid e Eduardo foram governadores pelo PSB. Cid deixou o PSB no fim de 2013, por divergências partidárias - queria apoiar Dilma, Eduardo saiu com candidatura própria. Havia ruídos anteriores, com Ciro - que quis sair candidato à Presidência em 2010, e Eduardo, que havia fechado o apoio a Dilma Rousseff, discordou. Os irmãos Gomes deixaram o PSB e fundaram o Partido Republicano da Ordem Social (Pros).

Marina e Ciro trabalharam juntos no projeto de transposição do rio São Francisco, durante o primeiro governo Lula. Ela à frente do Ministério do Meio Ambiente e ele, titular da Integração Nacional.

O momento que o grupo de Marina vive agora é o de "um tsunami", avalia um integrante. "Marina está vendo tudo isso para além de suas convicções pessoais, que são subordinadas aos compromissos da coalizão", diz ele, detalhando em seguida. "Quando se é candidato de uma coalizão você não se auto-representa. Mas deu sua contribuição e ajudou a construir aquilo. O que se impõe agora é cumprir os acordos que foram feitos."

O programa de governo, que foi estabelecido com Eduardo Campos, está quase pronto - seria divulgado hoje, no cronograma anterior ao desastre - e tem que ser o eixo que ancora toda a aliança com o PSB, acredita o grupo de Marina.

"A campanha era programática mesmo, como sempre se disse?", questiona um assessor. "Agora é o teste de fogo dessa afirmação." Eduardo Campos lia minuciosamente o conteúdo de cada um dos seis eixos do programa - educação, cultura e inovação, economia para o desenvolvimento sustentável, políticas sociais e qualidade de vida, novo urbanismo, democracia. "Ele já tinha lido quase tudo e comentado", continua o assessor.

"Eduardo pegava o texto, marcava tudo. Perguntava: o que quer dizer isso aqui? Por que mesmo estamos nos comprometendo com isso? Fazia muita pergunta", conta o assessor. O trabalho de montar o programa uniu pesquisadores, gente que foi do governo, professores. Cada capítulo foi revisado por outros especialistas. Só depois chegava a Marina e Eduardo. "Ele já havia assimilado o discurso da sustentabilidade. Falava ao agronegócio, por exemplo, que sustentabilidade tem tudo a ver com água, e água é fundamental para a agricultura", continua.

"Havia diferenças de nuances entre Eduardo e Marina com relação ao grau da formalização da autonomia do Banco Central, por exemplo", conta um assessor. "Mas este não é um ponto que precise ser definido de imediato, e sim se transformar em um compromisso com a autonomia. Todos esses compromissos serão mantidos."

O PSB vai entregar a Marina Silva um documento com os compromissos legais e políticos assumidos pelo partido. "Existe uma preocupação do PSB de preservar os acordos estaduais que foram feitos. Isso será preservado, nem haveria necessidade de uma carta", diz um líder do Rede. "Eles conhecem os limites de Marina."

Isso pode significar, por exemplo, fazer acrobacias na campanha diante das alianças atuais. Marina pode subir no palanque de Márcio França, candidato a vice-governador em São Paulo pelo PSB - mas não do governador Geraldo Alckmin, candidato à reeleição pelo PSDB. No Rio, certamente apoiará a candidatura ao Senado do ex-jogador Romário, que sai pelo PSB. Mas é bem improvável que suba ao palanque do petista Lindberg Farias para o governo do Estado. "Isso vai ser discutido", diz o assessor.

"Marina amadureceu muito na capacidade de articulação de 2010 para cá", diz Sergio Xavier, ex-secretário de Meio Ambiente de Eduardo e um dos responsáveis pela aproximação dos dois. "Está muito preparada para fazer as conduções políticas necessárias para estabilizar este momento", segue.

"O PSB é partido com certa estatura, certo porte. O importante é que essa caminhada seja forte o suficiente para levar ao PSB performance eleitoral importante. Por outro lado, também é importante conseguir que os candidatos do PSB estejam integrados na campanha", diz um assessor de Marina.

* Com informações do jornal Valor Econômico

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