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quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Militar e filho autista ingeriram 'chumbinho'

A causa da morte do menino Lewdo Ricardo Coelho Severino, de nove anos, foi revelada pela Polícia. A criança foi vítima de envenenamento causado por 'chumbinho', agrotóxico proibido, utilizado comumente para matar ratos. O subtenente do Exército Brasileiro (EB), Francilewdo Bezerra Severino, de 45 anos, também tomou o mesmo veneno e está internado no Hospital Geral do Exército, em Fortaleza. A unidade médica não divulgou o estado de saúde do paciente a pedido da família.
A informação diverge do que se acreditava, a princípio, com base no que teria sido sugerido pela mãe do menino, Cristiane Renata Coelho Severino, de 41 anos, que afirmou ter sido dopada com alta dosagem de clonazepam, um anticonvulsivo tranquilizante de tarja preta. A princípio, a Polícia havia afirmado que tanto a criança quanto o militar também haviam ingerido o medicamento anticonvulsivo.
Lewdo Ricardo foi morto na madrugada do último dia 11, dentro de casa, no conjunto Napoleão Viana, bairro Dias Macêdo, em Fortaleza. O pai do menino, o subtenente Francilewdo Bezerra Severino, mesmo internado, está preso, pois foi apontado pela esposa como autor do crime.
A mulher afirmou à Polícia que foi obrigada pelo militar a tomar de cinco a seis comprimidos do tranquilizante e duas taças de vinho. Ela teria dormido por cerca de uma hora e, quando acordou, já viu o filho e o marido agonizando dentro de casa. O menino morreu e o subtenente foi levado ao hospital, onde permanece internado, em coma.
Laudo
Até o fechamento desta edição, o delegado que preside o inquérito, titular do 16º DP (Dias Macêdo) Wilder Brito Sobreira afirmou que ainda não havia recebido o laudo médico com o resultado do exame laboratorial feito no corpo da criança. Porém, adiantou que "já havia a confirmação de que o menino foi envenenado com 'chumbinho'". A reportagem apurou que o pai da criança também ingeriu o veneno. Agora, com os resultados preliminares dos exames de Lewdo Ricardo e Francilewdo Bezerra, o delegado que preside o inquérito, titular do 16º DP (Dias Macêdo) Wilder Brito Sobreira, espera pelos documentos. "Ainda aguardo o exame laboratorial feito no menino e os exames de corpo de delito e toxicológico que solicitei que fossem feitos no militar. Eles confirmarão o envenenamento com o agrotóxico", indicou.
Investigação
Na última sexta-feira (14), o delegado havia dito que, pelas investigações feitas, ele desconfiava da existência de "outra substância que não foi mencionada" na cena do crime, que poderia apontar a causa da morte do menino Lewdo Ricardo.
Também na sexta-feira, notebook, celular, tablet, HD externo, GPS e outros materiais foram apreendidos na residência da família e encaminhados para serem periciados.
Sobreira, que realizou uma nova visita à cena do crime acompanhado de parentes da família, disse que busca "traçar um perfil psicológico dos envolvidos" através dos objetos retidos.
Além da nova informação sobre a causa da morte, que derruba a primeira tese de alta dosagem de medicamento dada ao menino, Sobreira relata a existência de "pontos que não se encaixam na investigação". Por isso, ele aguarda "para os próximos dias" a presença de Cristiane Renata na Delegacia, para prestar novo depoimento.
A mulher está em Recife, Pernambuco, onde participou do sepultamento do filho. Segundo o delegado, "estava sendo respeitado o luto" e, por isso, ela ainda não foi ouvida.
Dúvidas
Sobreira afirmou, também, que a mulher "é a chave da investigação", e que seu depoimento poderá esclarecer as dúvidas que ainda restam. "Tudo está sendo investigado. Todas as hipóteses levantadas, desde que sejam razoáveis, serão levadas em consideração", disse o delegado.
Cronologia
Terça-feira (11/11)
Lewdo Ricardo morre dentro de casa, e o pai é internado em estado grave. Mãe do menino culpa o esposo, e o militar é também preso, suspeito de cometer o crime. Esposa do subtenente diz que foi dopada e acordou cerca de uma hora depois
Quarta-feira (12/11)
Postagem feita em perfil do subtenente na rede social Facebook na madrugada de terça, que justificava o crime, é editada horas depois, mesmo estando o militar internado em coma; no dia seguinte, a página é desativada
Quinta-feira (13/11)
Polícia começa a investigar também a vida digital do casal após repercussão das alterações feitas no perfil de Francilewdo na rede social, apesar do militar estar ainda em coma; perfil de Cristiane na mesma rede social também some
Sexta-feira (14/11)
Delegado que preside o inquérito vai à cena do crime e recolhe aparelhos eletrônicos e mais objetos para perícia. Delegado afirma que menino não foi morto por ingestão de remédio e sugere a existência de uma outra substância 'não mencionada' na cena do crime
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