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sábado, 11 de abril de 2015

Forró gerou 90% de derivações negativas, diz o forrozeiro Carlos Villela

O cantor e compositor baiano de Bom Jesus da Lapa, Carlos Villela, estreia neste sábado (11) uma nova edição do projeto “Viva Gonzagão”, com as participações de Eugênio Cerqueira, Marquinhos Café, além do sanfoneiro Genaro, que já tocou com o próprio Gonzaga e esteve no Trio Nordestino por 12 anos, ao lado de Dominguinhos. O evento, que acontece no restaurante Grande Sertão, a partir das 14h, já está em sua quarta temporada e surgiu de maneira espontânea em 2012, para celebrar o centenário do rei do baião. “Na verdade sou o criador dessa história. Começou com poucos convidados, às sextas-feiras, de 15 em 15 dias, e ai as pessoas passaram a cobrar, então passamos a fazer semanalmente. Já passaram por lá nomes como Adelmário Coelho, Zelito Miranda, Quininho Valente, Virgilio, Targino Gondim, Del Feliz, Genaro, Maciel Melo, Cezinha, os caras que fazem o forró nessa linha de Luiz Gonzaga”, conta Villela, que resolveu voltar ao formato quinzenal e reformular o projeto para facilitar o agendamento e a divulgação. “Era às sextas, mas mudamos para os sábados à tarde, após fazer pesquisa com o público que sempre comparecia”, explica o músico. O “Viva Gonzagão” é mais que um show musical. Segue o estilo bem característico de Carlos Villela, que valoriza os ritmos tradicionais do forró e também a poesia das letras. Durante o evento, que segue até junho, o público irá conferir o autêntico forró gravado por cantores nordestinos, além de, claro, canções de Gonzaga, mas tudo isso distante do que Villela considera clichê. “É uma homenagem pelo estilo, musicalmente falando, e também textualmente. Entre uma música e outra vamos contar um pouco da história de Luiz Gonzaga. A gente toca também o lado B do disco, até porque a obra dele tem tanta coisa, não só a coisa romântica, mas também de cunho social”, diz o cantor, que pretende mostrar aos jovens a importância de Luiz Gonzaga no contexto sociológico, ao “levar o sertão para o mundo”.

Preocupado em manter vivo o estilo musical em sua tradição, Carlos Villela é muito crítico ao que classifica como “desvirtuação do forró”. “Tem tanta coisa hoje que se faz e diz que é forró. Nada contra, mas é importante quando a gente tem essa oportunidade de expor a origem. Você pode até derivar, mas derivações positivas, como o Tropicalismo ou a Bossa Nova, que é nada menos que o que Caymmi já fazia. O problema é que o forró gerou 90% de derivações negativas”, afirma o músico, acrescentando que tal fenômeno não surgiu somente agora. “Gonzaga depois dos anos 50 foi pro ostracismo devido à ascensão da musica brega daquela época. Quando chegou final dos anos 70 veio outra coisa dizendo que é forró, que é a coisa de duplo sentido. E ai veio Sandro Beker, tal. E era um duplo sentido louco. Ai Luiz Gonzaga novamente foi pro ostracismo e esses caras estouraram, ganharam disco de ouro fazendo uma música que na verdade não acrescentava nada no ponto de vista cultural, da evolução do ser humano, da poesia. E eu acho que a arte é isso, ter uma conexão com tempo de forma positiva. Depois, com o tempo, é que Flávio José, através de Maciel Melo, trouxe a poesia de volta, já nos anos 90”, diz Villela, que soma mais de 20 anos de carreira e já teve composições gravadas por nomes como o próprio Flávio José, além de Genival Lacerda, Targino Gondim, Elba Ramalho e Fagner.


Nesta linha do tempo do que Villela chama de “desvirtuação do forró” entram também bandas que fizeram muito sucesso. “Depois que acabou o forró de duplo sentido chegam grupos como Mastruz com Leite e Magníficos, uma coisa que não tem nada a ver, dizendo que é forró, mas que de forró só era o nome, porque já era uma lambada no meio do negócio, com uns textos machistas”, critica o músico, que enxerga também em Aviões do Forró superficialidade e mega-estrutura semelhante. Mas nem toda postura empresarial gigantesca ele vê com maus olhos. “Adelmário Coelho adotou essa postura, mas enfatizando o autêntico forró, ou seja, pode ser pop star do forró, mas valorizando a tradição”, explica Carlos Villela, sem deixar de comentar sobre o Forró Universitário. “É um título horroroso, né? O outro era analfabeto? É um preconceito enorme. Isso existe só para o ritmo ser aceito no sul, para tocar nos lugares bacanas, pra justificar Falamansa. Eles têm até um aspecto positivo, textos bacanas, modernos, mas é tudo pra isso. Hoje em dia tem até Arrocha Universitário, é tudo safadeza”, declara.
ServiçoO QUÊ: Projeto Viva Gonzagão, com Carlos Villela, Eugênio Cerqueira, Marquinhos Café e Genaro
QUANDO: Estreia sábado, 11 de abril, das 14h às 18h. Projeto segue em cartaz quinzenalmente, aos sábados, até junho.
ONDE: Restaurante Grande Sertão
QUANTO: R$20
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