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segunda-feira, 20 de julho de 2015

Operação da PF contou com planos meticulosos e sigilo obsessivo

A maior operação já feita contra políticos no Brasil foi objeto de sigilo obsessivo por parte de seus participantes na Polícia Federal e no Ministério Público Federal.
Os últimos detalhes da Operação Politeia, que faz referência à cidade sem corrupção da República totalitária propugnada por Platão, foram alinhavados para uma plateia de delegados e procuradores às 4h30 do dia de sua execução –terça passada, 14 de julho.
Foram 53 mandados de busca e apreensão em seis Estados. Só em Brasília, 80 investigadores ouviam na alta madrugada as orientações e endereços dos chamados alvos, os personagens que sofreriam as batidas.
Entre eles, notórios personagens do mundo político, como os senadores Fernando Collor (PTB-AL), Ciro Nogueira (PP-PI) e Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE).
O briefing, reunião que antecede as operações, é o momento em que a maioria dos policiais federais e procuradores descobre o motivo de sua convocação.
Para evitar vazamentos prévios, no dia anterior eles são avisados apenas que devem se apresentar no horário e local determinados. Na Politeia, às 19h de segunda (13), ainda havia delegados recebendo telefonemas.
“A adrenalina é gigante. Uma parte não dorme e vai virado. A outra dorme mal, com medo de perder a hora e imaginando o dia seguinte”, resumiu um investigador presente à reunião, que pediu anonimato à Folha.
PREPARAÇÃO
Na terça, o delegado responsável pela ação abriu o briefing projetando slides.
A apresentação trazia dados como o nome da operação, a quantidade de mandados, os alvos e até a vestimenta adequada: em nome da discrição, agentes deveriam estar de terno, em vez da tradicional roupa preta com símbolo da PF.
O delegado frisou: “Nada pode dar errado”.
Qualquer deslize ou eventual exagero na abordagem abriria espaço para os suspeitos entrarem com pedido de nulidade da operação.
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi um dos que levantou de madrugada para acompanhar a preleção. Pediu a palavra, passou uma mensagem de incentivo e deixou o auditório por volta das 4h50.
PASTA
Às 5h15, em Brasília, um comboio com 16 carros partiu rumo aos endereços em que deveria apreender veículos, valores em espécie, documentos e mídias.
Cada equipe, que contou em média com um delegado, três agentes e um procurador, recebeu uma pasta com os mandados a serem cumpridos. Haviam sido incluídos detalhes dos imóveis que deveriam visitar, além de uma foto do investigado.
O trabalho de inteligência mapeia as características do local e faz uma espécie de planta baixa. Com isso, a equipe sabe, por exemplo, se vai encontrar seguranças, armados ou não, ou até cachorros pouco amistosos guardando o imóvel.
RISCO DE CONFRONTO
No caso da Politeia, os investigadores anteviram risco de tiroteio numa diligência cumprida na Bahia. O dono da casa era um ex-policial. O confronto não ocorreu.
Na emblemática Casa da Dinda, residência de Collor em Brasília, o contratempo foi outro. A mulher do senador, inconformada com a ação, perguntava se os investigadores estavam filmando as buscas. “Vocês não podem violar a nossa privacidade”, justificava ela.
A operação terminou cerca de 17 horas depois, com a última diligência concluída às 21h30.
O balanço geral registrou a apreensão de oito veículos, cerca de R$ 4 milhões, joias, obras de arte, relógios, mídias e parte do universo político apreensivo com a possibilidade de, em algum momento, ver o dia começar antes das 6h.
Da Folha de S. Paulo.
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