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segunda-feira, 18 de julho de 2016

Estudante transexual vira nome de turma da Faculdade de Direito do Recife

| Em viagem a Salvador, onde participa de um encontro de estudantes de Direito de todo o país, a universitária Robeyoncé Lima, de 27 anos, tem todos os motivos para ter orgulho da própria história, sem perder de vista os desafios que deve enfrentar no futuro. Após se tornar a primeira transexual aprovada em um exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Pernambuco, em fevereiro deste ano, ela dará nome a uma turma de formandos da instituição, outro fato inédito no estado.A jovem vai se formar com os colegas da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que elegeram seu nome para identificar todo o grupo. Para ela, trata-se de uma conquista não só pessoal como de toda a comunidade LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transgêneros e Intersexuais). “Quero ajudar meus amigos e minhas amigas, fazer valer nosso direito que está sendo violado. Isso (a eleição do nome dela) mostra que a turma está tomando um posicionamento”, afirma.

Além do próprio prestígio, a futura advogada ainda comemora a presença de outra trans no meio político-jurídico. Nesta semana, Fabianna Mello, de 36 anos, começou a trabalhar na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Ela também a primeira transexual na Casa e tem como missão destravar os projetos LGBTI na Comissão de Cidadania e Direitos Humanos.

“A gente tem no poder legislativo uma bancada muito conservadora. Nossas pautas têm andado devagar. O Brasil é o país que mais mata LGBT no mundo. O que aconteceu em Orlando foi muito triste, mas aqui é Orlando todo dia”, declara, em referência ao atentado a uma boate LGBTI nos Estados Unidos, onde 50 pessoas morreram a tiros.

Nascida no Recife, Robeyoncé cresceu em uma rua localizada entre os bairros de Água Fria e Alto Santa Terezinha, na Zona Norte da cidade. A família é de Garanhuns, no Agreste do estado. Desde pequena, sabia que era mulher, mas só assumiu a identidade depois que entrou na universidade. A universitária acredita que as discussões sobre o tema no meio acadêmico a ajudaram no processo de autoafirmação.

“O ambiente foi favorável. Eu digo que é um privilégio, porque nem todo mundo tem oportunidade de estar em um ambiente desses. Quando você está em um ambiente negativo, você tem dificuldade de se aceitar. Na minha infância e adolescência, foi assim. Você é constantemente julgada. Se você não tem uma personalidade forte, você entrega os pontos, e isso pode te levar até a um suicídio”, ressalta.

No ano passado, conseguiu mudar de nome em todos os registros da instituição onde estuda e da Justiça Federal, onde estagia. Agora aguarda a autorização judicial para corrigir os documentos pessoais. “Na carteira de estudante, já está certo. Eu sempre tento usar ela para não ter que apresentar a identidade. Eu fico envergonhada”, diz.

A espera é só no papel para formalizar a verdadeira identidade diante do mundo. Mas, na vida real, Robeyoncé avisa: quem insistir em chamá-la pelo nome antigo será ignorado. “Na comunidade onde eu moro, muita gente me conhece desde a infância. Algumas pessoas esquecem, e eu corrijo. Também encontro pessoas que dizem que vão me chamar do outro jeito, e eu digo que não vou responder porque aquela pessoa não existe”, reverbera.

Por Artur Ferraz
Fonte: G1
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